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Cidade do Vaticano (RV) – O jornal vaticano, L'Osservatore Romano começará a ser distribuído em agosto nos Estados Unidos. O jornal será publicado em inglês pela editora católica Our Sunday Visitor do Estado de Indiana, que publica o diário católico com maior tiragem nacional, o Our Sunday Visitor Newsweekly.

A editora norte-americana também será responsável pelo atendimento de serviço ao cliente e das estratégias de marketing para fomentar a expansão da publicação no país. Por meio desta inciativa as notícias a respeito do Papa Bento XVI e do Vaticano chegarão com mais facilidade aos lares norte-americanos.

(SP)

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Santa Catarina - Florianópolis (YouCat) Início: Cinco seminaristas da Arquidiocese de Florianópolis, ao ter o primeiro contato com o YouCat ficaram empolgados com o novo material de evangelização, dado como um presente do Papa Bento XVI. Jovens, adeptos as redes sociais e inquietos com as possibilidades de evangelização também através delas, ficaram instigados com as palavras do Santo Padre: "Formai grupos de estudo nas redes sociais, partilhai-o entre vós na internet. Permanecei deste modo num diálogo sobre a vossa fé".

Atendendo a este convite e ordem do Papa, resolveram então criar um Twitter (www.twitter.com/catecismojovem), Facebook (www.facebook.com/catecismojovem) e um Blog (catecismojovem.blogspot.com), como espaço de partilha, divulgação e aprofundamento do estudo dos temas do YouCat.

O crescimento do projeto: Com a Jornada Mundial da Juventude, quando todos os jovens peregrinos ganharam o seu YouCat, a divulgação deste catecismo dos jovens foi muito grande e junto as redes sociais criadas pelos seminaristas tiveram grande repercussão.

Os seminaristas então se organizaram, passaram a planejar melhor as ações e formas de atuar por meio das redes sociais com o objetivo de evangelizar, passando a chamar as ações que antes eram mais espontâneas, de "Projeto de Evangelização @CatecismoJovem".

Na equipe, cada um tem sua tarefa específica, cumprindo datas, algumas linhas de ações e objetivos básicos para cada espaço de evangelização, sendo que atualmente está sendo criado um Planejamento Estratégico, para melhor evangelizar.

Com este crescimento, também viu-se a necessidade de uma equipe de colaboradores, sendo que ao ser lançado o convite, 40 jovens, de 25 estados brasileiros dispuseram-se a ser colaboradores na divulgação do projeto em seus estados.

Pessoas e não números: Os seminaristas sempre buscam superar a onda das redes sociais, em que está em alta quem tem mais números, sempre lembrando que por trás de cada perfil existe uma pessoa, normalmente um jovem, com seus medos, seus sonhos e seus projetos de vida. Assim, ao escrever cada texto, cada tweet e cada recado, é buscado colocar-se no lugar de cada jovem e assim entender melhor qual sua reação, e qual o sentimento que ele terá.

Neste anseio de um contato mais direto, a equipe busca dialogar na medida do possível e de acordo com a vontade dos jovens, seja pessoalmente ou em contatos mais coletivos, como a já conhecida twitcam, um espaço em vídeo e ao vivo, em que os internautas podem interagir.

As experiências: Poucos meses após serem lançadas, as redes sociais do "Projeto de Evangelização @CatecismoJovem" já pode-se perceber muitas utilizações do YouCat e possibilidades da Evangelização da Juventude.

Grupos de jovens, movimentos eclesiais, novas comunidades tem se utilizado tanto do livro, quanto das redes sociais como espaço de busca de assuntos e abordagens para os encontros com os jovens, podendo inclusive trocar ideias e dicas.

Também se percebe uma utilização do YouCat para os encontros de crisma, e inclusive de catequese de eucaristia, com leitura dos artigos do blog, ou mesmo do próprio livro, o que tem resultado em mais dinamicidade e interesse por parte das crianças e jovens durante os encontros.

Divulgação: A equipe está em uma fase de divulgação do projeto aos leigos, coordenadores de grupos, movimentos, pastorais, novas comunidades, seminaristas, diáconos, padres e bispos. É o desejo que o projeto chega em todo o Brasil, para que mais pessoas conheçam e encantem-se pelo YouCat e pela Nova Evangelização. Que todos possam unirem-se a este projeto, ajudando na divulgação através de e-mails, cartas e do boca-a-boca.

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Lisboa (Ecclesia) – A compreensão da linguagem do silêncio e a sua transmissão nos meios de comunicação social constituem dois dos principais desafios colocados aos jornalistas que querem descrever a ausência de palavras que caracteriza frequentemente o fenómeno religioso.

José António Santos, secretário-geral da Agência Lusa, recorda o momento em que João Paulo II orou no Santuário de Fátima, em maio de 1991: "Um manto de sossego envolveu a capelinha e demais espaço envolvente. O Papa rezava mergulhado em oração íntima, completamente alheado do que se passaria em redor".

"Ainda hoje sinto dificuldade em explicar aquele silêncio do Papa", escreve o jornalista em texto publicado na edição de hoje do semanário Agência ECCLESIA, cujo tema central é dedicado ao 46.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que a Igreja Católica assinala a 20 de maio.

Alexandra Serôdio, repórter do Jornal de Notícias, descobriu "há muito" serem "os silêncios que transmitem a verdadeira realidade das coisas e da vida", mas a sua interpretação "tem sido um desafio constante" para uma jornalista que "faz da escrita o seu modo de vida".

Interpretar e comunicar o silêncio é também "um objetivo de quem quer perceber o que move hoje a sociedade", porque "mais que as palavras ditas de forma mais ou menos agradável ou mesmo emotiva, são os gestos, os olhares e os silêncios que devem ajudar a interpretar a verdadeira realidade", realça.

O mesmo repto é colocado a quem trabalha com a imagem, como sublinha Imelda Monteiro, rosto dos programas ECCLESIA e '70x7', transmitidos pela RTP-2: "Televisão, dizia a minha cultura académica, não rima com silêncio. Televisão é som, é palavra, é imagem em movimento... é uma transmissão contínua de estímulos comunicacionais. Será que tem lugar para comunicar o silêncio?".

Uma inquietação que revive sempre que o objetivo é mostrar lugares e ambientes habitados pelo silêncio, como quando visitou um mosteiro de religiosas Clarissas: "Acreditem que para quem trabalha em televisão não é uma tarefa fácil".

"Retenho na memória espaços enormes e vazios onde o que predomina é a ausência: ausência de movimento, ausência de som... Tudo o que tinha à minha frente contrariava as regras da televisão", recorda.

O padre Rui Osório lembra que o Papa, ao escolher o tema para o Dia Mundial das Comunicações, "Silêncio e palavra: caminho de evangelização", introduziu uma regra essencial: "não basta ter que dizer; é importante saber ouvir".

"A palavra tem necessidade do silêncio para ganhar expressividade", frisa o jornalista, acrescentando que "a cultura digital não precisa apenas de tecnocratas, mas de quem a humanize com sabedoria, conjugando, com elevação cultural e espiritual, a beleza da palavra com o encanto do silêncio".

A suspensão da palavra é também essencial na transmissão do cristianismo, nota o sacerdote: "Deus queira que os cristãos jamais comuniquem a outros a Palavra de Deus sem a escutar no silêncio contemplativo, atentos aos sinais dos tempos e ao modo como as pessoas se dão ao diálogo para que se faça luz".

"Treinados no 'pensamento produtivo', o silêncio assusta-nos. Quando calamos algum tempo agitamo-nos, sentimo-nos inúteis, e desesperamos", aponta por seu lado Pedro Gil, diretor do Gabinete de Imprensa do Opus Dei.

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DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

AOS PARTICIPANTES DO CONGRESSO NACIONAL

PROMOVIDO PELA CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA

COM O TEMA: "TESTEMUNHAS DIGITAIS.

ROSTOS E LINGUAGENS NA ERA CROSSMEDIAL"

Sábado, 24 de Abril de 2010

Eminência

Venerados Irmãos no Episcopado

Prezados amigos!

Estou feliz por esta ocasião de me encontrar convoco e concluir o vosso congresso, intitulado de modo muito evocativo: "Testemunhas digitais. Rostos e linguagens na era crossmedial". Agradeço ao Presidente da Conferência Episcopal Italiana, Cardeal Angelo Bagnasco, as cordiais palavras de boas-vindas com as quais, mais uma vez, desejei manifestar o afecto e a proximidade da Igreja que está na Itália ao meu serviço apostólico. Senhor Cardeal, nas suas palavras reflecte-se a adesão fiel a pedro de todos os católicos desta amada Nação e a estima de muitos homens e mulheres animados pelo desejo de procurar a verdade.

O tempo que vivemos conhece um enorme ampliamento das fronteiras da comunicação, realiza uma convergência inédita entre os diversos mass media e torna possível a interactividade. Portanto, a rede manifesta uma vocação aberta, tendencialmente igualitária e pluralista, mas ao mesmo tempo assinala um novo fosso: com efeito, fala-se de digital divide. Ele separa os incluídos dos excluídos e acrescenta-se às demais diferenças, que já afastam as nações entre si e também no seu interior. Aumentam também os perigos de homologação e de controle, de relativismo intelectual e moral, já bem reconhecíveis na flexão do espírito crítico, na verdade reduzida ao jogo das opiniões, nas múltiplas formas de degradação e de humilhação da intimidade da pessoa. Então, assiste-se a uma "poluição do espírito; ela torna os nossos rostos menos risonhos, mais obscuros, que nos leva a não nos cumprimentarmos, a não olharmos para os outros..." (Discurso na Piazza di Spagna, 8 de Dezembro de 2009). Este congresso, ao contrário, tem em vista precisamente reconhecer os rostos, portanto superar aquelas dinâmicas colectivas que podem fazer-nos perder a percepção da profundidade das pessoas e nivelar-nos na sua superfície: quando isto acontece, elas permanecem como corpos sem alma, objectos de intercâmbio e de consumo.

Como é possível, hoje, voltar aos rotos? Procurei indicar o seu caminho também na minha terceira Encíclica. Ela passa por aquela caritas in veritate, que resplandece no rosto de Cristo. O amor na verdade constitui "um grande desafio para a Igreja num mundo em crescente e incisiva globalização" (n. 9). Os mass media podem tornar-se factores de humanização, "não só quando, graças ao desenvolvimento tecnológico, oferecem maiores possibilidades de comunicação e de informação, mas também e sobretudo quando são organizados e orientados à luz de uma imagem da pessoa e do bem comum que respeite os seus valores universais" (n. 73). Isto exige que eles "estejam centrados na promoção da dignidade das pessoas e dos povos, animados expressamente pela caridade e colocados ao serviço da verdade, do bem e da fraternidade natural e sobrenatural" (Ibidem). Somente sob tais condições a passagem epocal que estamos a atravessar pode revelar-se rica e profunda de novas oportunidades. Sem temores, queremos fazer-nos ao largo no mar digital, enfrentando a navegação aberta com a mesma paixão que, desde há dois mil anos, governa a barca da Igreja. Mais do que pelos recursos técnicos, embora sejam necessários, queremos qualificar-nos habitando também este universo com um coração crente, que contribua para dar uma alma ao ininterrupto fluxo comunicativo da rede.

Esta é a nossa missão, a missão irrenunciável da Igreja: a tarefa de cada crente que trabalha no campo dos mass media consiste em "aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, aos homens que vivem nesta nossa era "digital", os sinais necessários para reconhecerem o Senhor" (Mensagem para o 44º dia mundial das comunicações sociais, 24 de Janeiro de 2010). Queridos amigos, também na rede sois chamados a inserir-vos como "animadores de comunidades", atentos a "preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus", e a expressar uma sensibilidade particular por aqueles que "caíram no desânimo e cultivam no seu coração desejos de absoluto e de verdade não caducas" (Ibidem). Deste modo, a rede poderá tornar-se uma espécie de "pórtico dos gentios", no qual "reservar espaço àqueles para quem Deus ainda é um desconhecido" (Ibidem).

Como animadores da cultura e da comunicação, vós representais um sinal vivo do modo como "os modernos meios de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem, entrando em contacto com o seu próprio território e estabelecendo, muito frequentemente, formas de diálogo mais abrangentes" (Ibidem). Na Itália não faltam vozes neste campo: aqui é suficiente recordar o diário Avvenire, a emissora televisiva TV2000, o circuito radiofónico inBlu e a agência de imprensa SIR, além das publicações periódicas católicas, da rede abrangente de semanários diocesanos e dos já numerosos sites internet de inspiração católica. Exorto todos os profissionais da comunicação a não se cansarem de alimentar no próprio coração aquela sadia paixão pelo homem, que se torna tensão a aproximar-se mais das suas linguagens e do seu verdadeiro rosto. Ajudar-vos-á nisto uma sólida preparação teológica e, principalmente, uma profunda e jubilosa paixão por Deus, alimentada no diálogo permanente com o Senhor. Por sua vez, as Igrejas particulares e os institutos religiosos não hesitem em valorizar os percursos formativos propostos pelas Universidades Pontifícias, pela Universidade Católica do Sagrado Coração e pelas outras Universidades católicas e eclesiásticas, destinando-lhes com clarividência pessoas e recursos. O mundo da comunicação social entre plenamente na programação pastoral.

Enquanto vos agradeço o serviço que prestais à Igreja e, por conseguinte, à causa do homem, exorto-vos a percorrer, animados pela coragem do Espírito Santo, os caminhos do continente digital. A nossa confiança não é depositada acriticamente em qualquer instrumento da técnica. A nossa força está no facto de sermos Igreja, comunidade crente, capaz de dar testemunho a todos da perene novidade do Ressuscitado, com uma vida que floresce em plenitude na medida em que se abre, entra em relação e se entrega com gratuidade.

Confio-vos à salvaguarda de Maria Santíssima e dos grandes Santos da comunicação enquanto, de coração, vos abençoo.

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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Senhores Cardeais

Venerados Irmãos no Episcopado

e no Sacerdócio

Queridos irmãos e irmãs!

É com grande alegria que vos dou as minhas cordiais boas-vindas por ocasião da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais. Desejo antes de tudo expressar a minha gratidão a D. Claudio Maria Celli, Presidente do vosso Pontifício Conselho, pelas gentis palavras que me dirigiu em nome de todos vós. Estendo a minha saudação aos seus colaboradores e a vós aqui presentes, agradecendo-vos a contribuição que ofereceis aos trabalhos da Plenária, e o serviço que prestais à Igreja no campo das comunicações sociais.

Nestes dias detendes-vos a reflectir sobre as novas tecnologias da comunicação. Também um observador pouco atento pode facilmente verificar que no nosso tempo, graças precisamente às mais modernas tecnologias, está a realizar-se uma verdadeira revolução no âmbito das comunicações sociais, da qual a Igreja vai tomando cada vez mais consciência responsável. De facto, estas tecnologias tornam possível uma comunicação rápida e invasiva, com uma ampla partilha de ideias e de opiniões; facilitam a aquisição de informações e de notícias de modo pormenorizado e acessível a todos. O Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais segue há tempos esta surpreendente e veloz evolução da mídia, fazendo tesouro das intervenções do magistério da Igreja. Gostaria de recordar aqui em particular, duas Instruções Pastorais: a Communio et progressio do Papa Paulo VI e a Aetatis novae querida por João Paulo II. Dois importantes documentos dos meus venerados Predecessores, que favoreceram e promoveram na Igreja uma ampla sensibilização sobre estas temáticas. Além disso, as grandes mudanças sociais que se verificaram nos últimos vinte anos solicitaram e continuam a solicitar uma atenta análise sobre a presença e acção da Igreja neste campo. O Servo de Deus João Paulo II na Encíclica Redemptoris missio (1990) recordou que "o uso dos mass media, no entanto, não tem somente a finalidade de multiplicar o anúncio do Evangelho: trata-se de um facto muito mais profundo porque a própria evangelização da cultura moderna depende, em grande parte, da sua influência". E acrescentou: "Não é suficiente portanto usá-los para difundir a mensagem cristã e o Magistério da Igreja, mas é necessário integrar a mensagem nesta "nova cultura" criada pelas modernas comunicações" (n. 37c). De facto, a cultura moderna brota, ainda antes do que dos conteúdos, do próprio facto da existência de novos modos de comunicar que utilizam linguagens novas, se servem de novas técnicas e criam novas atitudes psicológicas. Tudo isto constitui um desafio para a Igreja chamada a anunciar o Evangelho aos homens do terceiro milénio mantendo o seu conteúdo inalterado, mas tornando-o compreensível também graças a instrumentos e modalidades adequadas à mentalidade e às culturas de hoje.

Os meios de comunicação social, assim chamados no Decreto conciliar Inter mirifica, assumiram hoje potencialidades e funções que naquela época talvez não se imaginassem. O carácter multimedial e a interactividade estrutural de cada um dos novos meios de comunicação tem, de certo modo, diminuído a especificidade de cada um deles, gerando gradualmente uma espécie de sistema global de comunicação, pelo que, mesmo mantendo cada meio o seu carácter peculiar, a evolução actual do mundo da comunicação obriga cada vez mais a falar de uma única forma comunicativa, que sintetiza as diversas vozes ou as coloca em estreita relação recíproca. Queridos amigos, muitos de vós sois peritos na matéria e podeis analizar com maior profissionalidade as várias dimensões deste fenómeno, incluindo sobretudo as antropológicas. Gostaria de aproveitar a ocasião para convidar quantos na Igreja trabalham no âmbito da comunicação e desempenham responsabilidades de guia pastoral a saber enfrentar os desafios que estas novas tecnologias apresentam à evangelização.

Na Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano, ressaltando a importância que as novas tecnologias têm, encorajei os responsáveis dos processos comunicativos a todos os níveis, a promover uma cultura do respeito pela dignidade e pelo valor da pessoa humana, um diálogo radicado na busca sincera da verdade, da amizade não finalizada a si mesma, mas capaz de desenvolver os dons de cada um para os pôr ao serviço da comunidade humana. Deste modo a Igreja exerce aquela que poderíamos definir uma "diaconia da cultura" no actual "continente digital", percorrendo os seus caminhos para anunciar o Evangelho, a única Palavra que pode salvar o homem. Compete ao Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais aprofundar cada elemento da nova cultura da mídia, começando pelos aspectos éticos, e exercer um serviço de orientação e de guia para ajudar as Igrejas particulares a compreender a importância da comunicação, que já representa um ponto firme e irrenunciável de cada plano pastoral. Aliás, precisamente as características dos novos meios tornam possível, também em larga escala e na dimensão globalizada que ela assumiu, uma acção de consultação, de partilha e de coordenação que, além de incrementar uma difusão eficaz da mensagem evangélica, evita por vezes uma inútil dispersão de forças e de recursos. Para os crentes a necessária valorização das novas tecnologias mediáticas deve ser sempre apoiada por uma visão de fé constante, sabendo que, além dos meios que se utilizam, a eficácia do anúncio do Evangelho depende em primeiro lugar da acção do Espírito Santo, que guia a Igreja e o caminho da humanidade.

Queridos irmãos e irmãs, celebra-se este ano o cinquentenário da fundação da Filmoteca Vaticana, querida pelo meu venerado predecessor, o Beato João XXIII, e que recolheu e catalogou material filmado desde 1896 até hoje capaz de ilustrar a história da Igreja. Portanto, a Filmoteca Vaticana possui um rico património cultural, que pertence a toda a humanidade. Ao exprimir a minha profunda gratidão por quanto já foi realizado, encorajo a prosseguir este interessante trabalho de recolha, que documenta as etapas do caminho da cristandade, através do testemunho sugestivo da imagem, para que estes bens sejam conservados e conhecidos. Agradeço mais uma vez a todos vós aqui presentes a contribuição que ofereceis à Igreja num âmbito importante como nunca, como o das Comunicações Sociais, e garanto-vos a minha oração para que a acção do vosso Pontifício Conselho continue a dar muitos frutos. Invoco sobre cada um de vós a intercessão de Nossa Senhora e concedo a todos a Bênção Apostólica.

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Sexta-feira, 17 de Março de 2006

Eminências

Excelências

Prezados Irmãos e Irmãs em Cristo

É com imenso prazer que hoje vos dou as boas-vindas ao Vaticano, por ocasião da Assembleia Plenária Anual do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais. Em primeiro lugar, desejo agradecer ao Arcebispo D. Foley, Presidente do Pontifício Conselho, as suas amáveis palavras de introdução e, com efeito, manifestar o meu agradecimento a todos vós pelo vosso compromisso no importante apostolado das comunicações sociais, quer como uma forma directa de evangelização, quer como uma contribuição para a promoção de tudo o que é bom e verdadeiro para cada sociedade humana.

Na minha primeira Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações, decidi reflectir sobre os mass media como rede que facilita a comunicação, a comunhão e a cooperação. Fi-lo, recordando que o Decreto do Concílio Vaticano II Inter mirifica já tinha reconhecido o enorme poder dos mass media para esclarecer a mente dos indivíduos e para formar o seu pensamento. Quarenta anos mais tarde sentimos, mais do que nunca, a urgente necessidade de orientar este poder para o benefício de toda a humanidade.

São Paulo recorda-nos que através de Cristo já não somos estrangeiros nem hóspedes, mas concidadãos dos santos e membros da casa de Deus, tornando-nos um santo templo, uma morada para Deus (cf. Ef 2, 19-22). Esta imagem sublime de uma vida de comunhão compromete todos os aspectos da nossa vida de cristãos e indica-vos, de maneira particular, o desafio de encorajar as comunicações sociais e as indústrias de diversão a serem protagonistas da verdade e promotoras da paz que brota de uma existência vivida em sintonia com a verdade libertadora. Como bem sabeis, este compromisso interpela o princípio da coragem e da determinação da parte de todos os proprietários da indústria da comunicação, extremamente influente, e daqueles que trabalham em tal âmbito, a fim de assegurar que a promoção do bem comum nunca seja sacrificada à busca egoísta do lucro ou a um programa ideológico de pouca responsabilidade pública. Ao reflectirdes sobre tais solicitudes, estou persuadido de que o vosso estudo sobre a Carta Apostólica do meu querido Predecessor O rápido desenvolvimento, será de grande utilidade.

Na minha Mensagem para o corrente ano, desejei chamar também a atenção para a urgente necessidade de promover e fomentar a vida matrimonial e familiar, fundamento de toda a cultura e sociedade. Em cooperação com os pais, as comunicações sociais e as indústrias de diversão podem contribuir para a vocação, difícil mas extremamente gratificante, de educar os filhos através da apresentação de modelos edificantes de vida e de amor humanos. Como é angustiante e destrutivo para todos, quando se verifica o contrário! Não clamam porventura os nossos corações, especialmente quando os nossos jovens se sujeitam a expressões de amor deturpadas ou falsas, que ridicularizam a dignidade que a pessoa humana recebeu de Deus, debilitando assim os interesses da família?

Como conclusão, exorto-vos a reiterar os vossos esforços em ordem a ajudar as pessoas que trabalham no mundo dos mass media, a promoverem o que é bom e verdadeiro, de maneira especial no que se refere ao significado da existência humana e social, e a denunciarem o que é falso, de forma particular as tendências perniciosas que corroem o tecido de uma sociedade civil digna da pessoa humana. Deixemo-nos animar pelas palavras de São Paulo: em Cristo somos um só (cf. Ef 2, 14)! E trabalhemos em conjunto para edificar a comunhão de amor, em sintonia com os desígnios do Criador, revelados pelo seu Filho! A todos vós, aos vossos colegas e aos membros das respectivas famílias em casa, concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica.

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23 de Abril de 2005

Ilustres Senhores,

Gentis Senhoras!

1. É com prazer que vos encontro e vos saúdo cordialmente, jornalistas, fotógrafos, profissionais da televisão e todos vós que, por diversos títulos, pertenceis ao mundo das comunicações.

Obrigado pela vossa visita e particularmente pelo serviço que realizastes nestes dias à Santa Sé e à Igreja Católica. Dirijo uma cordial saudação a D. John Patrick Folley, Presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, e agradeço-lhe as palavras que pronunciou em nome dos presentes.

Pode-se dizer que, graças ao vosso trabalho, por diversas semanas a atenção do mundo inteiro permaneceu fixada na Basílica, na Praça de São Pedro e no Palácio Apostólico onde o meu Predecessor, o inesquecível Papa João Paulo II, encerrou serenamente a sua existência terrena, e onde em seguida, na Capela Sistina, os Senhores Cardeais me elegeram, como seu Sucessor.

2. Estes eventos eclesiais de histórica importância tiveram, por vosso intermédio, uma cobertura mundial. Sei bem quanto cansaço suportastes, obrigados a permanecer longe da família e das vossas casas, a trabalhar com horários prolongados e em condições nem sempre fáceis. Por tudo isso desejo agradecer em meu nome pessoal e especialmente dos católicos que, vivendo em Países muito distantes de Roma, puderam compartilhar estes momentos emocionantes de fé em tempo real. Prodígios e extraordinários poderes dos meios de comunicação social!

O Concílio Vaticano II já contemplava o promissor desenvolvimento destes instrumentos. A eles, de facto, os Padres Conciliares quiseram dedicar o primeiro dos seus documentos no qual se afirma que tais meios "por sua natureza, não só podem chegar a cada um dos homens, mas também às multidões e a toda a sociedade humana" (Inter mirifica, 1). Desde 4 de Dezembro de 1963, quando foi publicado o Decreto Inter mirifica, a humanidade conheceu e ainda é testemunha de uma extraordinária revolução mediática, que contemplou cada aspecto e possibilidade de toda a existência humana.

3. Consciente da sua missão e da importância dos meios de comunicação, a Igreja, especialmente a partir do Concílio Vaticano II, procurou a colaboração com o mundo da comunicação social. Grande artífice deste diálogo aberto e sincero foi, sem dúvida, também João Paulo II que convosco, agentes das comunicações sociais, em mais de 26 anos de Pontificado, manteve um constante e fecundo relacionamento. E é exactamente aos responsáveis das comunicações sociais que ele quis dedicar um dos seus últimos documentos, a Carta Apostólica do último dia 24 de Janeiro na qual recorda que "a nossa época é uma época de comunicação global, onde muitos momentos da existência humana se desenrolam através de processos mediáticos, ou pelo menos se devem confrontar com eles" (O Rápido desenvolvimento, 3).

É meu desejo prosseguir este frutuoso diálogo, e compartilho a propósito o que observou João Paulo II que "o actual fenómeno das comunicações sociais impulsiona a Igreja a fazer uma espécie de revisão pastoral e cultural, a fim de ser capaz de enfrentar, de maneira apropriada, a passagem de época que estamos a viver" (ibid., 8).

4. Para que os instrumentos de comunicação social possam prestar um serviço positivo ao bem comum, é preciso uma contribuição responsável de todos e de cada um. É sempre necessária uma compreensão melhor das perspectivas e das responsabilidades que o seu desenvolvimento comporta quanto aos reflexos que de facto se verificam na consciência e na mentalidade dos indivíduos como na formação da opinião pública. Não se pode, portanto, deixar de evidenciar a necessidade de claras referências sobre a responsabilidade ética de quem trabalha em tal sector, especialmente no que se refere à sincera busca da verdade e à salvaguarda da centralidade e da dignidade da pessoa. Somente sob estas condições os meios de comunicação podem responder ao desígnio de Deus que os colocou à nossa disposição "para os descobrirmos, usarmos, fazer conhecer a verdade, também a verdade acerca do nosso destino de filhos seus, herdeiros do seu Reino eterno" (ibid., 14).

5. Ilustres Senhores, gentis Senhoras, agradeço-vos ainda o importante serviço que prestais à sociedade. A cada um chegue o meu cordial reconhecimento com a certeza de uma recordação na oração por todas as vossas intenções. Estendo a minha saudação às vossas famílias e a quantos fazem parte das vossas comunidades de trabalho. Por intercessão da celestial Mãe de Cristo, invoco em profusão para cada um os dons de Deus, em penhor dos quais a todos concedo a minha Bênção.

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